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Escrito por Olivier Collin - Seg, 06 de Julho de 2009 00:00   


Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo. O Brasil Olímpico, uma prestação de contas à sociedade, documentário vencedor do prêmio Embratel de melhor reportagem esportiva em 2008, agora ganha uma nova edição.
É o “Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo”. O novo documentário produzido pelo departamento de jornalismo da ESPN Brasil terá duração de 2 horas com 17 matérias especiais.

São mais de 50 entrevistados debatendo os assuntos mais polêmicos do esporte olímpico brasileiro. Atletas, medalhistas olímpicos, dirigentes, deputados federais, senadores, técnicos, gestores esportivos, pesquisadores, professores de Educação Física e até o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, discutem os rumos do esporte de alto rendimento no país.
Brasil olímpico, uma candidatura passada a limpo nada mais é que o lado obscuro, que não estará no dossiê final de candidatura aos Jogos do Rio de 2016, que será entregue pelo Governo Federal e o COB ao Comitê Olímpico Internacional no dia 12 de fevereiro.
No novo documentário da ESPN Brasil você vai se surpreender com as histórias de bastidores contadas pelas famílias de César Cielo e Ketleyn Quadros. Ele o primeiro medalhista dourado da história da natação brasileira e ela a primeira medalhista olímpica, individual, do Brasil.
Você vai conhecer as histórias de dois boxeadores brasileiros que, por muito pouco, não colocaram no peito duas medalhas olímpicas que não vem há quarenta anos. Washington Silva entrou no ringue em Pequim com uma grave lesão nos ligamentos do joelho, já Paulinho Carvalho, que também fechou a participação como o quinto melhor boxeador do mundo, tem na carteira profissional o registro de faxineiro.

O que mudou na vida destes atletas depois dos jogos?
Você vai ficar de cabelo em pé, com as declarações desses lutadores.
Os debates passam também pela formação do professor de Educação Física no Brasil, a falta de espaços nas escolas, a falta de uma política nacional de esportes.
Aí você pergunta: “como podemos pensar em Olimpíada no Brasil se não temos um plano nacional de desenvolvimento esportivo?”.
As respostas você irá encontrar nas reportagens feitas em todas as arenas e parques esportivos construídos para os Jogos do Rio. Nessa investida descobrimos histórias absurdas de falta de planejamento e má aplicação de dinheiro público nos jogos. Você vai conhecer o único local, de todos que foram feitos para o Pan, onde se pratica esporte.
Falamos também com a equipe técnica do tribunal de contas da união, órgão fiscalizador do governo que apresenta revelações bombásticas.
Outros assuntos que serão abordadas no programa:
O drama de quem comprou gato por lebre. Os pesadelos daqueles que adquiriram apartamentos na vila do Pan.
A reeleição programada de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB. E o desabafo do presidente da Confederação Brasileira de Badiminton, que votou contra a reeleição.
As audiências públicas no senado e os rumos das leis que regem o esporte no país. Aliás, foi em uma dessas audiências públicas que Nuzman também entrou para a história como o primeiro cidadão a abandonar uma convocação do senado.
A CPI mista que o congresso vem mobilizando para investigar os rumos do dinheiro público no esporte.
Lei de incentivo ao esporte. “Só os grandes têm vez”. A entrevista com a repórter do Correio braziliense revela a força dos grandes, só dos grandes.
O descaso com o Maria Lenk. A reportagem de Bruno Lousada, do jornal “O Estado de São Paulo”, mostra que o complexo aquático “Maria Lenk” não poderá receber provas de natação, caso o rio conquiste o direito de sediar os jogos de 2016.
O estádio João Havelange foi uma boa? Para o ex-prefeito César Maia que presenteou o botafogo sim, mas para a população que mora nos arredores do estádio mais moderno do país...
Brasil 2016 vale a pena? Nossos entrevistados mostram os prós e os contras de uma candidatura bilionária.
São muitas questões e muitas discussões num programa que promete abalar as estruturas do esporte olímpico brasileiro.
Imperdível. Um documento para gravar, refletir e cobrar das autoridades um novo rumo para milhares de atletas que lutam para, quem sabe um dia, viver do esporte.
“Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo” é o lado nebuloso do esporte, que francamente, não gostaríamos, mas temos o compromisso de apresentar.


Brasil Olímpico, uma prestação de contas à sociedade
Diário de um repórter quase investigativo
A viagem está marcada para Manaus. A pauta promete ser a grande reportagem da minha vida. Mas antes de qualquer coisa, vou me apresentar. Sou editor da ESPN Brasil há nove anos. Além do espírito de Don Quixote do jornalismo brasileiro, meu negócio é mais edição de programas especiais e documentários. Culpa do José Trajano que acredita em nossas investidas - aliás, poucos diretores, ou melhor, quase nenhum dá essa abertura. Sou grato, eternamente. por isso.
Como a maioria dos jornalistas, fico inquieto quando encontro pela frente a chance de sair para a rua, para entrevistar o mundo, como sempre faz o meu ídolo Roberto Salim, no fantástico ‘Histórias do Esporte’. E quando a gente consegue provar à chefia que encontramos algo inédito, aí a investida está garantida e não importa o destino - como se diz, pode ser até na Conchichina!
Nesse caso, a grande pauta da minha vida estava em Manaus, só que não íamos viajar quase três mil quilômetros para trazer apenas uma boa história. Então, o que fiz?
Liguei para o auxílio à lista, perguntei qual era o jornal mais respeitado e de maior circulação em Manaus - me indicaram o ‘A Crítica’. Sem perder tempo, liguei. Perguntei pela editoria de esportes, falaram que tinha uma repórter que poderia me ajudar, uma tal Bárbara Nascimento, jovem jornalista.
Como o telefone faz a diferença! Como uma conversa elucida, dá credibilidade e colabora com a união de profissionais que buscam o mesmo propósito. Agora entendo melhor por que os mais velhos abominam a mania de se trabalhar apenas com e-mail - sem dúvida, as pessoas ficam mais frias, para não dizer donas da verdade, muitas vezes mascaradas.
Bom, me apresentei à repórter do jornal. Daí para frente, choveu pauta de boas histórias para contar. Bárbara, coincidentemente, é da linha de Don Quixote do jornalismo amazonense, daquelas que só têm compromisso com a informação.
Nossa principal história a ser gravada em Manaus era a reportagem no maior museu particular de coleções olímpicas do planeta - só perde para o do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Lausanne, na Suíça. Só que fizemos muito mais.


O Senhor dos Anéis
Chegamos a Manaus. E sem fazer média com ninguém, ô terra de gente boa, de povo inacreditavelmente amável. Lá todos fazem questão de falar “Esse é meu amigo, aquele é muito amigo meu” - de boca cheia. Aterrissamos de madrugada, depois de uma viagem de cinco horas e meia, com escala em Brasília.
Na manhã seguinte, eu, o Marcelo dos Santos (repórter cinematográfico) e Manuel dos Santos (assistente) seguimos para um o condomínio, acredito, o mais luxuoso do Amazonas. No caminho, pedimos informação. E a primeira pessoa que nos escutou fez questão de atravessar a cidade e nos deixar na cara do gol.
Entramos na casa do dono da segunda maior coleção olímpica de medalhas do mundo. Chegamos ao jardim. Muitas árvores, um deçk com churrasqueira e uma piscina de cinema. Pouco mais ao fundo, finalmente avistamos o objeto do nosso desejo. Outro casarão (se é que dá para chamar assim), um espaço de dois andares com mais ou menos 300 metros quadrados. Um museu particular todo de vidro. Em cima da única porta a gente avista os cinco anéis olímpicos e o título: ‘Galeria Olímpica’.
Eu queria sair correndo, invadir o local, no bom sentido, e mergulhar em mais de 100 anos de história. Pedro, o funcionário da casa, entendeu o entusiasmo. Aproveitou a minha euforia para fazer um tour rápido pelos dois andares. Não acreditou quando mostrei os pelos de meu braço o tempo todo arrepiados. Pirei por alguns minutos, mas logo o dono do tesouro chegou. A porta de vidro foi aberta por um senhor de 63 anos, que de cara se apresentou - e com um sorriso para lá de entusiasmado, nos agradeceu. “Gente, muito obrigado pela visita”.
O ‘Senhor dos Anéis’ é Roberto Gesta de Melo, mais conhecido na mídia esportiva como presidente mais antigo de todas as confederações do Brasil. Gesta é presidente da CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo) há 21 anos. Foi reeleito mais uma vez e promete, se der tudo certo, deixar o cargo depois dos Jogos de Londres, em 2012.
Como jornalista da linha quixotesca, eu nunca botei muita fé nos dirigentes que se perpetuam no cargo, ainda mais não remunerados. O Gesta, pelo que conversamos, me pareceu diferente. É filho do maior exportador de látex, piaçava e castanha do Pará. Gesta estudou direito, fez pós-graduação no exterior e escolheu a carreira de dirigente esportivo.
A ‘Galeria Olímpica’ de Roberto Gesta de Melo é um museu da mais alta qualidade profissional. Tudo está acondicionado em prateleiras de vidro, com chave e muitas câmeras, milhares de peças colecionadas há mais 40 anos. A preocupação com a integridade do material é tão grande que dentro da galeria você tem de entrar de blusa, pois a temperatura varia entre 15° e 17° graus centígrados. Há ainda um desumificador.
Tudo foi muito pensado, planejado. Até as luzes estão direcionadas para valorizar as mais diversas e inacreditáveis preciosidades. Você encontra de tudo: tochas que marcam a história olímpica, selos, porcelanas, mascotes, camisas. Mas o que eu queria ver mesmo eram as medalhas.


Ouro para valer
Vou dar apenas dois exemplos da loucura que é entrar nesse túnel do tempo. Imagine você estar de frente com várias prateleiras com as medalhas da história dos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno. Dos Jogos de1896 até os de Atenas/04, o que você quiser ver de perto, ele tem.
Sempre tive uma curiosidade que nunca encontrei resposta. Já que estava lá, arrisquei a pergunta: “Existe alguma medalha olímpica que foi confeccionada em ouro maciço?” Ele abriu uma porta de vidro e me apresentou quatro: medalhas dos Jogos de 1900, 1904, 1908 e 1912, as únicas de ouro da história olímpica. Na seqüência, mostrou a medalha da Olimpíada de 1916, que não aconteceu por causa da Primeira Guerra Mundial.
Orgulhoso, Gesta disse: “Essa medalha nem o COI tem. É o único exemplar do planeta.”
Só sei que fui lá para fazer uma pauta e voltei com 10. O fã do esporte vai poder conferir o material em ‘Loucos Por Olimpíadas’, que muito provavelmente irá ao ar durante os Jogos de Pequim.
Mas essa é a pauta da vida do repórter? Não, a grande história estará no documentário ‘Brasil Olímpico’, uma prestação de contas à sociedade que será apresentada em 31 de maio. A pauta estará nesse programa, que hoje também é o projeto da minha vida. Afinal de contas, são mais de 30 profissionais traçando um raio X do esporte olímpico brasileiro.
Na próxima coluna, o fã do esporte vai conhecer a mãe guerreira de Sandro Viana, o homem mais rápido do Brasil na atualidade. E mais uma bomba: o descaso com a Vila Olímpica de Manaus, um complexo esportivo maravilhoso, mas que vive sem dinheiro, sem atletas e sem respeito. E olha que estamos em ano olímpico.
Abraço para todos e até a próxima viagem!
  • ESPN BRASIL - 11h24 - 28Jun


Por Marcelo Gomes

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Última atualização ( Seg, 06 de Julho de 2009 11:41 )
 
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